Ousar Lutar pela garantia de permanência do estudante na universidade!
Entrar para a universidade pública já não é tarefa fácil em um país onde apenas 13% dos jovens estão matriculados no ensino superior, sendo que destes a grande maioria estuda em universidades privadas. O sistema meritocrático de ingresso na universidade brasileira, aliado a política de privatização do ensino de base – que compreende todo o processo de precarização do ensino público básico, fundamental e médio –, é um grande afunilador social, privilegiando as camadas médias e altas da sociedade que podem comprar educação de qualidade e, portanto, o “mérito” de ingressar na universidade.
No entanto, ainda que as camadas mais abastadas sejam privilegiadas pelo sistema de ingresso, em um país onde a grande maioria da população pertence às camadas dos “de baixo” é evidente que não há só ricos dentro da universidade. Muito pelo contrário, grande parte dos estudantes da UFSC, por exemplo, tem sérias dificuldades para manter-se estudando, ainda mais em uma cidade onde o custo de vida é tão caro quanto a nossa.
Infelizmente, muitos destes estudantes, na falta de alternativas, acabam desistindo de cursar o ensino superior. Isso está se agravando, e deve se agravar ainda mais, na medida em que projetos que prometem democratizar o acesso a universidade (como o REUNI, as cotas, etc.) não vêm acompanhados da garantia de melhoria e ampliação dos direitos estudantis de permanência na universidade.
O gráfico abaixo mostra como, nos últimos anos, o percentual de alunos que deixou a UFSC sob as formas de evasão (desistência, abandono, eliminação, jubilamento, transferências, etc.) está crescendo em relação ao número de alunos que saem da UFSC com um diploma na mão. Se em 2005 mais de 50% dos alunos egressos eram formandos, hoje eles são apenas (aproximadamente) 35%, enquanto que 65% deles estão abandonando a universidade sem concluir seu curso.
São exemplos de necessidades que garantem a permanência dos estudantes na universidade e pelos quais é necessário ousar lutar:
· Acima de tudo, qualidade de ensino, pois ninguém busca uma formação só pelo diploma;
· Residência Universitária com qualidade de vaga. Algumas melhorias no novo bloco foram conquistadas na luta, mas é preciso muito mais. Hoje a UFSC tem apenas 153 vagas de qualidade extremamente duvidosa para um universo de 24 mil alunos na graduação;
· Livros na Biblioteca Universitária, para reduzir as despesas e desperdícios com xerox;
· Restaurante universitário público e de qualidade. A tentativa de privatização do RU não deve demorar, pois já foi cortada a possibilidade de contratação de novos cozinheiros pela reitoria;
· Bolsa permanência cumprindo seu real papel de complementar a formação, ligada ao ensino, pesquisa e à extensão popular, com reajuste digno e flexibilização da carga horária para cursos de tempo integral;
· Entre outros, como creche (NDI) pública e gratuita para os estudantes que têm filhos, manutenção do SASC e do HU 100% público, etc.
Ao se deparar com números reais e altíssimos de evasão de cursos em nossa universidade, surgem perguntas no ar: Como fazer para diminuir tais números de evasão? O que faremos quando o ensino público torna-se cada vez mais penetrado de fundações particulares, sem recursos para permanência? Porque o governo investe no PROUNI destinando verbas públicas para universidades privadas ao invés de investir nas universidades públicas? Entre outras muitas...
Todos sabem que a maioria dos estudantes da UFSC trabalha para estudar e muitas vezes não têm tempo nem de passar na biblioteca (exemplo: estudantes do período noturno, como a B.U. pode fechar às 22:00 se estes alunos têm aula das 18:30 às 22:00??); como também existem aqueles estudantes que desistem porque não têm possibilidade de se manter financeiramente (passes escolares, alimentação, aluguel, xerox...). O que NÓS faremos? Porque a pergunta: O que o Estado ou a reitoria fará sobre isso, já não recebe respostas satisfatórias ou podem nem ser respondidas.
A bolsa permanência da UFSC está há dois anos sem reajuste anual, sendo que a resolução normativa nº 015/CUN/07 de 18 de outubro de 2007 em seu Art. 6º traz o seguinte: “O aluno contemplado com a bolsa permanência receberá um auxílio financeiro mensal, cujo valor será definido anualmente pelo Conselho Universitário mediante proposta apresentada pelo Reitor, observada a disponibilidade orçamentária da Universidade”. Analisando tal item da resolução: os anos passam e não existe projeto de aumento de valor da bolsa para uma melhor situação dos estudantes (só depende do REITOR!!); com o REUNI novas vagas são criadas, novos cursos e os recursos financeiros da UFSC diminuem de uma ano para o outro (como de 2008 para 2009)... será que a universidade tem se importado com a permanência e educação de qualidade de seus estudantes ou investido em marketing e nos curso de maiores prestígios empresarias??
O assunto permanência deve ser discutido de modo geral e com todos os estudantes da UFSC e porque não dizer com a sociedade? Além de nós existem os futuros estudantes que certamente esperam uma instituição que lhes proporcionem garantias de permanência, acessibilidade e ensino de qualidade.
Ousemos lutar neste momento, discutir o assunto e encontrar saídas para uma melhoria nos recursos de permanência dos estudantes. A Chapa 3 “Ousar Lutar” traz este, como muitos outros assuntos à tona, com preocupação sempre e compromisso com todos!
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