"Ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo." (Florestan Fernandes)
O ensino superior desde o seu surgimento cumpre o papel de servir a interesses particulares da elite brasileira e já nasce atrelado ao domínio de potências estrangeiras, colocando a educação dentro da lógica que visa distinguir a parte da população que pensa e a parte que executa, perpetuando uma estrutura arcaica de domínio de uma minoria sob a imensa maioria do povo.
A realidade das universidades hoje nos mostra que o conhecimento produzido a partir do ensino da pesquisa e da extensão não está servindo para solucionar os problemas mais latentes da maioria da população brasileira e sim para interesses do mercado, que inclusive, utiliza laboratórios da universidade pública para fins privados.
Assim, se faz necessária a discussão sobre o projeto de universidade que temos e o projeto de universidade que queremos; pois o hoje é sempre a semente do amanhã.
Temos como horizonte um projeto de Universidade Popular; uma universidade que sirva para dar respostas, através do conhecimento, da ciência e da tecnologia produzidos, aos interesses e anseios de emancipação dos explorados e oprimidos, dando a todos igualdade de valor enquanto seres humanos, absorvendo e irradiando a cultura e a força do povo em movimento.
Acreditar numa Universidade que seja de fato criadora, crítica e popular não é utopia, pois sua construção se dá no dia a dia através de propostas concretas: incentivando a criação de grupos de pesquisa e extensão populares de gestão estudantil, direcionando a produção de conhecimento para o povo e não para as empresas privadas, construindo o Estágio Interdisciplinar de Vivência (EIV-2010), estreitando os laços da universidade com movimentos sociais, ecológicos e trabalhadores organizados.
Ousemos amar o povo e lutar por qualidade de ensino, ciência e arte a serviço da transformação social, pela troca de conhecimento com os movimentos sociais e as comunidades abrindo as portas para a comunidade externa e interna.
A Universidade deve servir para a socialização e democratização do saber, como instrumento de emancipação humana ligado à luta por uma sociedade de fato justa e igualitária.
Democracia interna: instrumento na direção da Universidade Popular
O elemento “democrático” das decisões políticas, estruturais e institucionais desta universidade passa por um sistema meritocrático que não privilegia projetos referenciados socialmente, deixando claro seu atrelamento com o setor privado e seu distanciamento com o setor público.
Defendemos que as eleições para dirigentes (reitor, diretores de centro, coordenadores de curso) sejam por voto universal, como já existem em alguns centros e departamento de cursos. Defendemos também que nos órgãos decisórios da UFSC, haja paridade entre as categorias, ou seja, que todas as cadeiras sejam igualmente divididas entre professores, técnicos e estudantes.
A Universidade Popular somente será construída com democracia interna, e quando contarmos com o povo nas decisões mais elementares sobre ensino, pesquisa e extensão. Ousemos lutar!
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